Quinta-feira, 22 de Julho de 2004

SENTIR

Senti amor sem te ver
É vida vivida em vão!...
É ver o sol esconder,
Sentir calor... Sem ser verão!

O teu peito é mar revolta
Que guarda meu coração
Enquanto o teu quase morto
Espera por outro... Em vão!

Se soubesses o que sinto
Calado dentro de mim...
Tenho a certeza não minto
A esta dor sem fim.

A vida passa a correr
Não se detendo por dó
A olhar-me para saber
Porque vivo sempre só!!!


João Miranda
publicado por João Miranda às 00:13
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Quarta-feira, 21 de Julho de 2004

MÃOS

As minhas mãos
Estão vazias
As minhas mãos
Estão trémulas
As minhas mãos
Estão famintas
Vazias de ternura
Trémulas de solidão
Famintas de desejos
Buscam algo
Em meu redor!
Tudo é ausência
Tudo é vazio
Onde estão os carinhos
Para eu adormecer?
Onde estão os carinhos
Para me despertar?
Onde estás tu meu amor?
Vem...vem ter comigo
E as minhas mãos vazias
Ficarão cheias!
E eu tenho medo de mãos vazias
Tenho medo! Tenho medo!


João Miranda
publicado por João Miranda às 01:22
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Terça-feira, 20 de Julho de 2004

MAIS UM DIA

Mais um dia
Que se dilui neste mar sem fim
Do tempo.
...Há uma gota de chuva
Que sobreviveu,
Depois de todas
Já terem desaparecido
Com a aragem que sopra
Lá fora.
Fico a olhá-la,
Perco-me nela,
Afogo-me...
Olho então,
Sem já nada para ver,
O pensamento toma-me,
O sonho arrasta-me
E eu,
De olhos abertos e fixos
Nessa gota
Que quase não distingo
Perco-me no vazio.
De repente,
Estremeço.
O tempo passara
Sem mesmo saber,
Como ou quanto
Decorrera.
Que ficou?
Que resta afinal?
Um sabor
A tudo o que se queria
E se sonhou
Mas... que não se teve.
Da tal gota,
Que ás outras se acabou por juntar,
Já nada resta.
Nem o vestígio,
De por lá
Ter passado.
Apenas eu,
Continuo
No mesmo sítio!


João Miranda
publicado por João Miranda às 23:22
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QUEM SOU EU?

Quem sou?
Não sei!
Talvez a noite
Talvez o dia
Sou o verme que rasteja
Sou a onda que vai e volta
Sou barco que luta contra a maré
Sou a flor que desabrocha para a vida
Sou rocha
Sou pluma.
Quem sou?
Não sei!
Talvez a chuva
Talvez o sol
Sou pássaro que voa sem destino
Neste mundo confuso
Sou o que sente
Sou aquele que sofre
Sou criança
Sou homem
Sou pensamento
Sou razão.
Quem sou?
Não sei!
Talvez tristeza
Talvez alegria
Sou o amor
Mas não sou ódio
Sou aquele que tem fome
Aquele que tem sede
Sede de viver
Sede de amar
Quem sou?
Sou enfim aquilo que ninguém é
Aquilo que todos são.


João Miranda
publicado por João Miranda às 01:24
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Segunda-feira, 19 de Julho de 2004

SOFRI

Sofri,
Chorei lágrimas perdidas
Em vão.
Tu não as merecias,
Mesmo assim,
Chorei...
Chorei.
Não por ti,
Mas por mim
Como fui tolo
E ingénuo!
Como pude algum dia acreditar
Que me amavas!...
Quis perguntar-te coisas
Que nunca compreendi,
Mas afastas-te
Porque não saberias responder
Amei-te!
Pensei que o mundo acabou
Para mim quando me deixaste...
Não
O mundo começou
Então para mim
Compreendo isso tarde
De mais
Mas valeu a pena
Quero quw saibas
Que agora para mim és...
NADA.
Não te tenho rancor
Nem em mim existe mágoa
Mas sofri,
E doeu!
Apenas lamento o tempo
Que perdi.
Fizeste-me sentir vazio
Mas ao fim
De algum tempo
Sei...
Que valho alguma coisa.


João Miranda
28-Abril-1989
publicado por João Miranda às 22:33
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ESPAÇO

Tens em mim um espaço
Quando houver fragilidade.
Há em mim um universo
Onde podes contemplar
A vida num verso
Um tempo para sonhar,
Se a ilusão for fria
E te faltar a alegria,
Tens em mim
Um cais de abrigo
Um refúgio
Um ombro amigo.
A vida é uma pintura
Em tons claros de ternura
É um sonho por acordar
É manhã em nós
A despertar!


João Miranda
publicado por João Miranda às 01:03
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MINHA NOITE

Terminei a minha noite
De trabalho
No silêncio da casa adormecida!
Abri aquele caderno
E escrevi.
Não...
Não havia nada de especial
A dizer!
Apenas uma vontade enorme
De saborear um momento
Solitário
Ao fim da noite
Apenas a necessidade
De agarrar o tempo,
Os acontecimentos,
Os próprios sonhos...
De os prender nas folhas
Em branco
Dum inocente caderno
De apontamentos.
(Um pouco como quem
Tomava notas
Da própria vida).

Escrevia,
Como quem matava a fome
Pensava,
E tinha dúvidas,
Abria a mão
De sonhos velhos
E resolvia aceitar o possível
E a fundamentar minha vida
No que valia a pena...

Não!
Não escrevia
Como quem guardava coisas velhas
Numa arca.
Entre as folhas
Do meu caderno
Estavam os sorrisos dos outros,
As conversas giras
Que tinha com os amigos.
Estava um pouco
Das minhas descobertas
E um pouco de espinhos
Que me magoavam...
Era preciso,
Como um dia
Me dissera um amigo
"Dar forma a tudo isto"
Para reconhecer
Que naquelas experiências
Aprender e continuar
A aventura
Do dia seguinte...


João Miranda
15-Janeiro-1989
publicado por João Miranda às 00:12
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Sexta-feira, 16 de Julho de 2004

MINHA FILHA

Quem é esse ser
Que antes de nascer
Parece um novelinho
De lã
Um bichinho da seda
No ventre de sua mãe?
Quem é esse ser
Que só de amor é concedido
E de dor faz sorrir
A quem ama,
Aos soluços implorando licença
Para o mundo ver também.
Na maça do rosto
Tráz uma historinha
De nove meses
Onde navegou por mares
Nunca antes navegados,
Mas essa historinha
Nunca ninguém escutou.
Quem será então esse ser?
Esse comprador
De sonhos
Sou eu
E és tu
O que somos hoje
O que nunca seriamos
Se não tivessemos sido antes
Esse novelo de lã
Esse bichinho da seda...


João Miranda
04-Janeiro-1984
(Dedicado à minha filha e agora também à Diana)
publicado por João Miranda às 01:19
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CANSADO

Estou cansado do gesto vão
Do sonho que me sufoca
Do riso descontente da vida
Neste momento
Do "amanhã talvez"
De mãos vazias
De ser pão sem fermento.
Eu quero ser o sonho
Que comanda a vida
Ter na fé a certeza
Que sou a nova massa
Que faz pão, que faz vida
Morrer de cansado de tanto amar
Para renascer depois mais decidido.


João Miranda
15-Janeiro-1996
publicado por João Miranda às 00:49
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Quinta-feira, 15 de Julho de 2004

O MEU DIA

Sete horas triiiiimmm!
Acordo.
Levanto-me.
Estico os ossos.
Desloco a cortina
Da janela
Cumprimento a paisagem
Bom dia!!!
Abraço o tempo
Tomo o pequeno almoço
Higiene
Arrumos caseiros e físicos
Sair...
Das canseiras volto
Sorrindo
Digo adeus ao sol.
Convido a noite
Pergunto-lhe pela lua.
Entro no doméstico
Jantar - ceia
Louça - roupa
Lar.
Passo ao intelecto
Escrever
Ver
Ler.
Penso e medito.
Amanhã novo dia.
Outro dia?
Não!!
Tem que ser diferente!
São sempre diferentes
Porque quero!
Porque faço por isso
Contas
Trabalho
Programas
Férias!
Quando?
Setembro?
Boa
Lisboa?
Melhor!
Expo'98?
Excelente!!
Alentejo?
Espectacular!!!
Talvez Marrocos!
Também.
Não estou a sonhar
Ainda!
Adormeço
Mister Dean!!
Mister Deeaann!!!
Acordo
Outro novo dia
Levantar
Sorrir
Partir
Voltar!


João Miranda
05-Setembro-1998
publicado por João Miranda às 01:14
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